CEBOLAS RECHEADAS

CEBOLAS  RECHEADAS

Ah!  Quem nunca derramou uma lágrima ao cortar uma cebola?

Pois é, toda a vez que olho ou uso as cebolas, lembro-me sempre de um quadro de natureza morta de cebolas de Paul Cézanne, que dizem que ele demorava tanto para pintá-las que elas acabavam brotando no próprio cenário, e de um poema “Ode à Cebola” de Pablo Neruda (1904-1973) que acredito seja o maior elogio que a cebola já recebeu.

Cebola
luminosa redoma,
pétala a pétala
se formou a tua formosura
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra escura
se tornou redondo o teu ventre de orvalho.

Debaixo da terra
aconteceu o milagre
e quando apareceu
o teu torpe talo verde,
e nasceram
as tuas folhas como espadas na horta,
a terra acumulou o seu poderio
mostrando a tua desnuda transparência
e como para Afrodite o mar remoto
duplicou a magnólia
levantando os seus seios,
a terra
te fez assim,
cebola,
clara como um planeta,
e destinada
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água
sobre
a mesa
das gentes pobres.

Generosa
desfazes
o teu globo de frescura
na consumação
fervente da onda,
e o pedaço de cristal
no calor acendido do azeite
se transforma em ondulada pluma de ouro.

Também recordarei como fecunda
a tua influência o amor da salada
e parece que o céu contribui
dando-te fina forma de granizo
ao celebrar a tua claridade picada
sobre os hemisférios de um tomate.

Mas ao alcance
das mãos do povo,
regada com azeite,
salpicada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no duro caminho.
Estrela dos pobres,
fada madrinha
envolta em delicado
papel, sais do solo,
eterna, intacta, pura
como semente de astro,
e ao cortar-te
a faca na cozinha
sobe a única lágrima
sem pena.
Fizeste-nos chorar sem nos afligires.

Eu celebrei tudo quanto existe, cebola,
mas para mim és
mais formosa que uma ave
de plumas ofuscantes,
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina,
baile imóvel
de anémona nevada
e vive a fragrância da terra
na tua natureza cristalina

Pois é, Senhora Dona Cebola, tem os que te odeiam, os que não gostam tanto de tí, e os que como eu gostam muito de tí, mediante isso vamos caprichar e conquistar mais alguns aliados.

INGREDIENTES

Cebolas grandes em quantidade necessária, cortadas ao meio (usei 3)

½ quilo de carne moída

2 dentes de alho picados

2 colheres de sopa de molho de soja( shoyu)

Azeitonas verdes fatiadas a gosto (usei ½ xícara)

Sal, pimenta do reino e orégano a gosto

Cebolinha picada a gosto

1 quadradinho de queijo mussarela para cada ½ cebola

Molho de tomate suficiente para umedecer a carne (usei ¾ de xícara)

Azeite

Queijo ralado para polvilhar

 

MODO DE PREPARO

Fazer uma cavidade no meio das cebolas, sem furar até ao fim. Picar os pedaços de cebola retirados

Numa panela com azeite, dourar os pedaços de cebola bem picados, o alho e a cebolinha. Juntar a carne e deixar refogar até secar bem. Acrescentar o molho de soja, sal e temperos, as azeitonas e o molho de tomate, deixando uns minutinhos para apurar.

Em cada metade de cebola, colocar um quadradinho de mussarela e o recheio da carne. Salpicar com queijo ralado e levar ao forno até dourar. Servir quente.

E então será que conseguimos mais alguns aliados?

 

Bom Apetite

Gina

10 comentários sobre “CEBOLAS RECHEADAS

  1. Olá Gina,
    Mas que fantástica homenagem à cebola!!
    Adoro esse poema do Pablo e adoro cebolas, pois utilizo-as imenso e em quase tudo. A tua receita é fantástica e vou anotar, pois o aspecto é divino!
    Beijinhos grandes e bom fim de semana,
    Lia.

  2. Querida Gina,
    linda homenagem a nossa cebola do dia a dia, ela merece mesmo, rsrs.
    Eu não fico sem cebolas, elas dão sabores aos pratos, a sua receita
    é maravilhosa, imagino o sabor e o aroma……hummmm…..delícia!

    Tenha um fds repleto de bençãos junto a sua família!
    bjs ♥

  3. Minha querida amiga, gosto muito de ler postagens que misturam cultura com gastronomia, essa sua me “pegou”…rssss.
    Além da sua receita ter ficado maravilhosamente gulosa, você ainda nos mostra um pouco do Neruda gastrônomo, e a natureza morta de Cézanne é mesmo um quadro curioso com as cebolas já germinando.
    E sim, eu sou do time que ama as cebolas em todas as suas formas, pra mim ela tem mesmo que ser celebrada!

    Pra você o meu abraço,
    e votos de um ótimo fim de semana!

  4. Querida Gina, não conhecia esse lado Pablo Neruda, essa poesia é linda, um perfeito retrato da nossa amiga cebola. Aqui em casa todos sem exceção gostamos muito de cebolas, cruas, ou cozidas ou fritas. Na panela, ela dá um aroma incrivel, ainda mais se acompanhada pelo Sr. alho né? Adorei sua receita, ficou com um lindo visual e deve ser uma delicia. Tenham um lindo final de semana amiga. Beijinhos

  5. Olá Gina querida🙂
    Confesso que em pequena detestava as cebolas…
    Ainda crua por vezes sinto um ardor no estômago. Mas cozinhada, adoro!!
    E detesto cortar cebola, choro imenso🙂
    Adorei o poema à cebola, uma bela homenagem!
    Assim gratinada nunca comi mas me parece delicioso.
    Amiga, bom final de semana.
    Um beijinho.

  6. Gina,
    Essa cebola faz jus ao Neruda! Simplesmente adoro, não economizo no uso de cebola.
    Neruda era um amante da gastronomia e escreveu várias odes. Além dessa, escreveu sobre a maçã, a sopa de côngrio, pão e vinho… Será que mais alguém o fez de forma tão veemente?
    Beijos!

  7. Minha querida,

    Eu adoro cebolas: cruas, estufadas, refogadas, assadas, cozidas, grelhadas… de todas as formas e feitios !🙂 Adoro mesmo !
    Mas nunca as descasco… tarefa do marido senão é uma choradeira só! eh eh eh

    Essas suas assim recheadas são uma tentação, não me faria de rogada e comeria com todo o prazer, estão lindas !

    Beijinhos

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